As enormes mudanças climáticas que afetam o mundo devido a uma existência humana de séculos de impactos ambientais não medidos e contornados traz alterações importantes na forma como vivemos e, consequentemente, nos ambientes construídos. As ondas de calor, que deixaram de ser ocasionais e se tornaram frequentes (como, por exemplo, as altas temperaturas vividas no inverno deste ano no Brasil) nos mostram que a compreensão sobre esse cenário é emergencial.
É hora, de fato, de falar sobre a economia verde e como ela pode ser associada a todos os setores como um mutirão que tem capacidade de amenizar esse impacto. Na arquitetura, precisamos, então, dar luz à arquitetura bioclimática, termo que ganhou força ainda nos anos 1970, quando iniciou a crise do petróleo, e vem cada vez mais sendo mencionado no mercado.
Construir com o menor impacto no meio ambiente é o que preza a arquitetura bioclimática, mote que vem sendo cada vez mais solicitado aos profissionais por clientes que entendem a necessidade de reduzir os prejuízos que uma construção pode gerar à natureza desde o início, na extração de recursos naturais, até o final, na destinação correta dos resíduos gerados.
Arquitetura bioclimática nos ambientes corporativos
Uma das estratégias-chave da arquitetura bioclimática, principalmente em países tropicais como o Brasil, está em encontrar alternativas para reduzir o consumo de energia gerado pelo ar-condicionado. Por aqui há, inclusive, memes na Internet que mostram que os escritórios são bastante gelados, com pessoas de regata na rua e de blusa de lã no trabalho. Nas residências, ar-condicionado é o sonho da população que sofre com o calor, principalmente em algumas regiões específicas do país.
Mas há alternativas. Ou, melhor dizendo, muitas vezes o calor extremo dentro do ambiente construído é causado justamente pela forma como ele foi elaborado. Quando um espaço é pensado já com base na arquitetura bioclimática, ele reconhece que a opção pela iluminação e ventilação naturais é fundamental e pode ser muito eficaz na redução da conta de energia.
Além disso, naqueles ambientes já prontos, mas que precisam de reformulação e não existe a possibilidade de ampliar janelas e entradas de ar, há opções no mercado como brises que quebram a incidência direta do sol, eram muito usados antigamente, mas foram trocados pelo ar-condicionado em uma época em que a sustentabilidade não estava tão em alta.
O mesmo vale para pisos e revestimentos. Um piso frio torna o ambiente muito mais fresco do que os carpetes. No entanto vale lembrar que o carpete favorece a questão do conforto acústico, aliado com outros materiais para essa finalidade, como nuvens, painéis e placas acústicas. Inclusive, esses produtos são produzidos com garrafas PET recicladas, sendo uma excelente opção sustentável a ser inserida no projeto. É importante avaliar diversos pontos no projeto corporativo e estabelecer prioridades equilibrando questões como sustentabilidade e bem-estar das pessoas.
Outros pontos que podem envolver o conceito de sustentabilidade: optar por um projeto luminotécnico apenas com LED, que não esquenta; o uso de tintas claras para diminuir a absorção do calor nas paredes; e a adoção de plantas diversas que ajudam a aclimatar o ambiente interno.
Saindo da questão energética, há também estratégias importantes que dizem respeito à escolha dos materiais. Escolher materiais naturais, mas de fontes renováveis, é importantíssimo. Entre os caminhos pode-se citar o solo-cimento, um tipo de tijolo que é confeccionado com uma mistura de cimento, água e terra obtidos com a terra retirada na escavação do solo da obra.
Para a arquitetura interna dos escritórios, a preferência por madeira de reflorestamento e por itens que usam, como matéria-prima, materiais reciclados é o caminho, ajuda a reduzir as emissões de gases do efeito estufa. Hoje a indústria recicladora está cada dia mais ativa e tecnológica, criando resinas que saem do plástico, por exemplo, para a fabricação de itens muito diversificados, economizando recursos naturais e contribuindo com a redução dos resíduos gerados pela existência humana.